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Benjamin permite produzir filmes!


Benjamin é o nome carinhoso que foi dado ao programa de inteligência artificial (IA) LSTM que escreveu o roteiro do curta-metragem Sunspring, cujo diretor Oscar Sharp, só dirigiu apenas dois curtas, e o produtor Ross Goodwin é um total desconhecido no meio cinematográfico!?!?

Oscar Sharp comentou: “Há alguns anos, fiz o roteiro de uma peça de teatro sem falas, usando somente uma planilha. Notei que a técnica era promissora e pensei que poderia usar a ideia em algo maior, como um filme. Aí conheci o Ross Goodwin – um especialista em IA – que topou na hora em me ajudar a fazer um curta escrito pelo programa de algoritmos que ele elaborou.”

A ideia de Sharp só se concretizou em 2016 durante o Sci-Fi London, um festival de filmes de ficção científica. Em um dos desafios propostos no evento, estava o de produzir um curta-metragem em somente 48 h. Goodwin e Sharp, então, resolveram contar com a ajuda do Benjamin, que na verdade é um computador…
Ross Goodwin explicou: “Tudo foi relativamente muito simples. Alimentamos a máquina com mais de 200 roteiros. Treinamos a rede de IA da Universidade de Nova York durante toda a semana com centenas de roteiros. Depois disso, o sistema de algoritmos aprendeu um padrão dos filmes de ficção científica, e aí ele conseguiu criar um texto que seguisse os mesmos padrões.

Na lista de filmes que ‘inspiraram’ Benjamin estão vários que foram sucesso como: 2001 – Uma Odisseia no Espaço, Blade Runner, E.T. – O Extraterrestre etc., e diversos que não foram bem aceitos pelos críticos de cinema, tais como: 2012, Cowboys & Aliens, Eu Sou o Número Quatro e o Quarteto Fantástico etc.
Com isso, possibilitou-se que a IA tivesse acesso aos roteiros mais diversos, independente da qualidade e da opinião da crítica. Isso é benéfico para o meu algoritmo e para quem for usá-lo no futuro.”

Pois bem, o Benjamin elaborou o texto de Sunspring em apenas alguns poucos minutos!!! Depois da elaboração do curioso roteiro por Benjamin – Sunspring apresenta três pessoas que vivem em um futuro não muito distante e estão envolvidas em uma espécie de triângulo amoroso – ele não sofreu nenhuma alteração, e Sharp teve a possibilidade de usar todas as suas 48 h para gravar o filme, que contou com o ator Thomas Middleditch (da série de TV Sillicon Valley) no elenco.
Todos que participaram do Sunspring acharam divertido estarem gravando de acordo com o que um computador mandou fazer, inclusive impondo até a entonação e o comportamento que os atores deveriam adotar.

O resultado, aparentemente, foi aprovado pelo festival, que considerou Sunspring um dos dez melhores produtos apresentados no desafio. Entretanto, alguns especialistas em cinema criticaram a qualidade do curta-metragem por ter alguns diálogos soltos e situações sem conexão com o todo.

Deixando de lado o questionamento da qualidade de Sunspring, o que emerge é a discussão do futuro dos roteiros e da profissão dos roteiristas!!! Sem dúvida, roteiristas de todo o mundo ganharam rivais de peso, ou seja, dos programas de IA que podem se tornar populares e serem inclusive gratuitos!!!
Sharp afirmou: “O futuro da ferramenta – Benjamin – é ainda impossível de ser previsto, mas estamos trabalhando para deixá-la disponível para qualquer pessoa!?!? No momento, estou ansioso para saber como as pessoas vão lidar com estas novas ferramentas, mas semelhantemente como ocorreu com a computação gráfica, os seres humanos aumentarão muito a sua eficiência no trabalho.”

Já para Goodwin, as consequências da chegada de algoritmos aos roteiros são bem mais claras e preocupantes, tendo ele declarado: “Não acredito que filmes inteiros sejam no futuro escritos por computadores. Entretanto penso que a inteligência da máquina vai oferecer subsídios muito importantes, ajudando as pessoas criativas com o seu trabalho. O Benjamin, por exemplo, poderá sugerir o que escrever nas próximas linhas quando o roteirista tiver um ‘branco’ e não conseguir continuar uma história.”

Você está percebendo como a IA pode acabar até com muitos empregos em setores criativos, como é o caso de reduzir (ou até eliminar) a importância de um roteirista?

Conteúdo produzido pela redação da revista Criática.

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