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Millennium tem uma continuação!?!?


Onze anos após a morte de Stieg Larsson, autor da trilogia Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres, A Menina que Brincava com Fogo e A Rainha do Castelo de Ar – que vendeu 82 milhões de livros, foi lançada pela editora sueca Norstedts a sua continuação – A Garota na Teia de Aranha – escrita por David Lagercrantz.

Esse livro chegou nas livrarias em 27 de agosto de 2015, em 43 idiomas e com tiragem inicial recorde: incríveis 2,7 milhões de volumes, 500 mil só para os consumidores norte-americanos e cerca de 50 mil para os brasileiros.

David Lagercrantz, o autor da quarta novela da série Millennium.

David Lagercrantz, o autor da quarta novela da série Millennium.

Essa continuação das aventuras do jornalista Mikael Blomkvist e da hacker Lisbeth Salander – vividos no cinema por Daniel Craig e Rooney Mara – foi uma operação montada pela editora sueca Norstedts, que armou um espetacular esquema de distribuição do livro no mundo todo, sem nenhuma divulgação prévia, criando uma aura de mistério que costuma render mais publicidade que as campanhas tradicionais.

Entregue em mãos, em cópia única para cada uma das 41 editoras que compraram os direitos de venda pelo mundo, as provas caminharam, até a véspera do lançamento, sem o uso da Internet. O computador usado pelo autor da obra se manteve rigorosamente desconectado da Web durante a produção da primeira prova. Depois de o livro pronto, os executivos da Norstedts solicitaram que o jornalista David Lagercrantz, contratado para escrever a nova história, se isolasse em uma ilha na Finlândia.

Deve-se ressaltar que David Lagercrantz goza de certa fama da Suécia pelo livro que assinou como ghost writer (escrever no lugar de outra pessoa) sobre a vida do mais famoso jogador de futebol da Suécia em atividade, Zlatan Ibrahimovic. Isso se deveu nem tanto pela qualidade do livro sobre o biografado, mas pelas entrevistas em que ele contou seu constrangimento ter inventado as declarações de Ibrahimovic.

Seu nome foi sugerido pela editora por Erland e Joakim Larnon, pais e irmão de Stieg respectivamente e herdeiros oficiais de sua obra.

Neste quarto livro, a história do jornalista investigativo foi atualizada. A ação se passa em parte no Vale do Silício (EUA) e inclui espionagem da National Security Agency, a mesma NSA cujos procedimentos questionáveis foram denunciados por Edward Snowden – que vive refugiado na Rússia –, em um dos maiores escândalos recentes sobre espionagem. Millennium, a revista em que trabalha o herói Blomkvist, passa por uma crise financeira bem séria e coloca o repórter às voltas com crises éticas diante da proximidade dos interesses empresariais da redação. O papel de Lisbeth Salander tornou-se mais expressivo, como aumentou significativamente a atuação dos hackers nessa última década.

Porém, muitos que já leram o livro chegaram à conclusão de que o mesmo não convence, nem é empolgante. Quando a trilogia começou, seus fãs diziam que se tratava de uma narrativa difícil de largar. Com diálogos artificiais, frases-clichês e alguns problemas de sintaxe, A Garota na Teia de Aranha demora a ficar intrigante, e quando isso acontece, segue sem muita emoção como a que existia nos três últimos livros que lançaram a literatura sueca no estrelato internacional.

Quem ficou muito aborrecida com a publicação desse quarto livro foi Eva Gabrielsson, que viveu muito tempo com Stieg, que declarou: “A escolha de David Lagercrantz para escrever a continuação dos livros de Stieg faz parte de uma operação com a única finalidade de tirar da crise financeira a editora Norstedts. Alguém diz que os heróis devem seguir vivos, mas isto é bobagem. A principal questão é sempre o dinheiro. E sempre existe uma editora que precisa de dinheiro e seus escritores não têm nada para escrever, com exceção de uma cópia do que os outros já fizeram.”

Certamente esse deve ser também o caso do livro The Girl With the Lower Back Tatoo (em tradução livre A Garota com Tatuagem nas Costas) da atriz e comediante norte-americana Amy Schumer, cujos direitos foram comprados em outubro de 2015 pela Simon & Schuster por US$ 8 milhões (que quantia, não é?). A atriz despontou em 2014 com a série Inside Amy Schumer, que lhe rendeu em 2015 o Emmy de melhor atriz de série de comédia. Nesse livro ela apresenta diversos ensaios cômicos sobre a sua vida. Ela chegou a receber, ainda em 2013, antes de alcançar toda essa fama, um adiantamento milionário da editora Harper Collins pelo mesmo livro – mas ela devolveu o dinheiro, dizendo-se muito ocupada para se dedicar à obra.

Não é que foi bom para ela esperar um pouco, pois acabou recebendo bem mais agora, não é? Resta saber se a Simon & Schuster não exagerou nessa aquisição e se vai recuperar todo o dinheiro investido nesse livro cômico!?!?


 

Conteúdo produzido pela redação da revista Criática.

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