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Não dá pra entender por que na China se valorizam algumas coisas e se proíbem outras


Três décadas depois de enveredar, à sua maneira, pela trilha do livre mercado, a China ainda não definiu com clareza em que tipo de sociedade quer se transformar. Essa é a impressão que fica após a leitura de A Era da Ambição, do jornalista norte-americano Evan Osnos, que viveu em Pequim entre 2005 e 2013.

Sem ser totalmente comunista ou capitalista, o país se posiciona numa fronteira pouco clara entre os dois regimes antagônicos por natureza e definição. Numa metáfora muito conveniente, o autor resumiu essa contradição, salientando: “Para sobreviver, o Partido Comunista Chinês (PCC) abandonou o evangelho, mas se apegou aos santos!!!” Ou seja, embora tenha rejeitado na prática a teoria de Karl Marx, manteve o retrato do camarada Mao Tsé-tung (1893-1976) em locais públicos, para ser admirado.

O jornalista Evan Osnos.

O jornalista Evan Osnos.

Tal contorcionismo ideológico se manifesta, na vida cotidiana, na discrepância entre realidade e retórica, como o fato de o maior mercado mundial da Louis Vuitton coexistir com tentativa de proibição do uso da palavra “luxo” em outdoors.

A prosperidade, combustível da “era da ambição”, tem como contraponto o autoritarismo. Quanto mais os chineses ascendem economicamente, mais liberdade demandam, sobretudo a liberdade de criticar o governo!!! E quanto maior se torna essa pressão popular, maior o esforço do PCC para contê-la.

Até o momento, as lideranças políticas têm contornado a situação ao combinar força bruta e propaganda persuasiva. A incógnita é até quando será possível abafar a voz de dissidentes e descontentes em geral…

A Internet vem se revelando um dos principais ambientes onde se disputa esse cabo de guerra. Já a partir desse século, a China ergueu uma muralha virtual que impede os usuários de acessar reportagens estrangeiras desfavoráveis a políticos ou denúncias de abusos de direitos humanos. Além disso, emprega um exército em atividades de propaganda, com um funcionário para cada cem cidadãos.

Você, caro leitor da Criática, consegue perceber quantos chineses têm esse emprego?

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