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O design de cadeiras


A não ser o design dos novos automóveis, nada foi mais estudado e projetado durante muito tempo que a cadeira!!!

O arquiteto norte-americano Charles Eames (1907-1978) disse: “São as conexões o que mais importa. No final de tudo, é por meio dos detalhes que se consegue dar uma utilidade (vida) a um produto. Eventualmente, tudo acaba se conectando – ideias, pessoas, objetos etc. – e é por isso que a qualidade dessas conexões que acaba sendo a própria qualidade do que se acaba elaborando ou construindo.”

Percebe-se dessa forma que o conceito de conexões é intrínseco ao design e provavelmente em nenhum obejeto mais do que no design de cadeiras!!! Nenhum outro tipo de mobília ofereceu tantas possibilidades de permitir criar tantas conexões para apresentar uma nova cadeira!!!

É por isso que tantos designers tornaram-se famosos com as cadeiras que criaram, como foi o caso de Henry van de Valde, Charles Rennie Mackintosh, Frank Lloyd Wright, Marcel Brener, Ludwig Mies van der Roche, Alvar Aalto, Gerrit Rietveld, Charles & Ray Eames, Isami Noguchi e Philippe Starck.

Na realidade, os citados fizeram muitas outras coisas belíssimas que não foram apenas confortáveis cadeiras, e todo aquele que quiser ver todas as cadeiras que eles criaram e centenas de outras deve recorrer ao livro de Charlotte e Peter Fiell, 1000 Chains (é isso mesmo, nele são apresentadas todas essas cadeiras…).

O sucesso de uma particular cadeira sempre dependeu da qualidade e amplitude das conexões que ela forma ou quanto o designer, por meio dela, consegue atender uma específica necessidade. No nível funcional, uma cadeira permite ter conexões físicas e psicológicas quando um indivíduo senta nela por meio da sua forma e dos materiais usados para construí-la. Ao mesmo tempo, ela incorpora significados e valores que se conectam com o usuário no nível intelectual, emocional, estético, cultural e até espiritual.

Em outro nível, conexões são estabelecidas entre os componentes estruturais inerentes ao design da cadeira. A cadeira pode também conectar-se visualmente e/ou funcionalmente com o contexto no qual será usada, incluindo aí outro objetos e estilos.

Nesses últimos 170 anos, a evolução da cadeira seguiu paralelamente com os desenvolvimentos obtidos na arquitetura e na tecnologia e refletiu as necessidades mutáveis e as preocupações da sociedade em se oferecer às pessoas cadeiras cada vez mais ergonômicas, pois elas passam cada vez mais tempo trabalhando sentadas.

As cadeiras passaram a sustentar pessoas de diferentes tamanhos e pesos durante períodos de tempo bem distintos e com diversas finalidades, ou seja, comendo, lendo, descansando, escrevendo ou trabalhando no escritório. Além disso, cada posição em que uma pessoa fica numa cadeira, tem a sua própria significância social, bem como deve estar de acordo com um conjunto de convenções, incluindo-se aí as restrições ortopédicas.

Na maioria dos casos, a cadeira precisa aguentar adequadamente o peso da pessoa sentada a uma tal altura que as suas pernas fiquem confortáveis e os pés possam tocar sem muita pressão o chão.

Nessa posição convencional o peso da cabeça e do corpo da pessoa deve ser suportado pelos ossos da bacia e das ancas. Dessa maneira, uma cadeira deve ser construída para dar a sustentação ideal para essa permanência estética de uma pessoa, apesar de que, com frequência, ela muda sua postura na mesma.

A cadeira de boa qualidade é aquela que permite ao usuário movimentar as suas pernas com grande liberdade e poder fazer os mais variados ajustamentos de postura. É por isso que o trabalho de muitos arquitetos famosos ficou intimamente ligado ao design da cadeira, devido às suas aptidões para solucionar problemas estruturais e fazer e explorar as conexões.

Concluindo, todo aquele que deseja ser um especialista em design não pode desconhecer toda a história da evolução do design de uma cadeira!!!

Conteúdo produzido pela redação da revista Criática.

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