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O que você fazia na noite de 22 de setembro de 1994?


Eu assistia a uma palestra sobre Qualidade, no auditório de uma instituição de ensino onde começara a lecionar na semana anterior e onde atuei por mais de 20 anos.

Assistir a uma palestra numa era pré-smartphone, internet e wifi, tinha opções: babar na cadeira, conversar em paralelo ou prestar atenção. Escolhi a última. Por vários motivos, entre eles o fato de o palestrante, que eu ainda não conhecia, ser bastante entusiasmado. O tema para mim era novidade e havia alguma dinâmica que eu ainda desconhecia nesse mundo das apresentações por onde passeio desde 1982.

Já passava das 20h00, vez ou outra o pensamento viajava diante de alguma colocação. Já começava a considerar a hipótese de uma saída estratégica pela direita, quando o palestrante manda a primeira das três frases que mudaram para sempre a minha vida e de carona a minha carreira:

1ª – Faça as coisas de uma maneira diferente, para obter resultados também diferentes.

Com o tempo, descobri que era uma adaptação de uma frase de Einstein: “Insanidade é fazer todos os dias as mesmas coisas e esperar que algo diferente aconteça”.

Era tão naturalmente óbvia, que me perguntei: “Por que nunca pensei nisso antes?”

Bom, a palestra prossegue e aí vem a segunda:

2ª – Competência se demonstra cada vez que você faz Mais com Menos.

Uau, simples assim; eficiente assim! E procurei na memória quantas vezes eu havia feito Mais com Menos, e percebi que foram bem menos vezes do que imaginava ou lembrava. Daí veio a terceira, não como um tapa ou um soco, mas na forma de um coice cirurgicamente encaixado para nocautear:

3ª – Quando foi a última vez que você fez algo pela primeira vez?

Essa parecia fácil, mas não era mesmo! A memória teimava em não recuperar a informação. Primeiro beijo, primeiro pôr do sol com a pessoa amada, primeiro dia ao volante, primeira vez no restaurante japonês, primeiros passos dos meus filhos, primeiro brilho no olhar, primeiro pagamento; tudo era num tempo longe. Experiências significativas, porém distantes.

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Por que é, então, que sendo tão agradáveis, motivadoras e inspiradoras, eu não as repetia com maior frequência?

O tempo, generoso, e minha curiosidade natural me fizeram aprender que nossos cérebros tendem à rotina e à repetição como forma de economizar energia para emergências, como, por exemplo, uma nova era glacial, uma vez que imaginam ela ocorrerá em breve.

Mesmo atuando em agências de publicidade desde 1977, ou seja, 17 anos antes daquela palestra, e em meio a ambiente e pessoas criativas, ainda assim eu era apenas mais um repetidor do cotidiano, o clássico exemplo de profissional que as empresas não procuram, mas que superlotam seus quadros funcionais.

Que paciência deve ter tido minha família para suportar tamanha falta de emoção e de interesse de minha parte. Quanta generosidade de meus patrões, chefes e colegas de trabalho. A não ser, é claro, que também no mesmo barco da pasmaceira, estava tudo tão comodamente ajeitado, que estipulamos: “Em time que está vencendo, não se mexe!”.

Mexe, sim. Sociedades, países, empresas e organizações têm obrigação de se reinventar a todo momento. A Inovação é a palavra de ordem; sem ela ainda dormiríamos comodamente em cavernas, ao lado de ursos e capivaras.

Ao chegar em casa naquele dia, me lembro de ter acordado minha esposa e perguntado: “Quando foi a última vez que fizemos algo pela primeira vez?” Que falta de noção! Já eram quase 23h00. Ela me olhou com cara de espanto, pensando que eu tivesse alguma perversão em mente, ou não entendendo bem o motivo da pergunta, que eu também não expliquei; proferiu algum muxoxo e voltou a dormir.

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Fazer mais com menos, do site da Reece.

Bom, eu acabava de fazer algo pela primeira vez em 17 anos de casamento: acordei a esposa ao chegar do trabalho. Não foi divertido, especialmente para ela, mas foi diferente. Que outras coisas novas eu poderia fazer então a partir de agora? Que tal me propor a fazer pelo menos uma coisa nova ou diferente por semana? E por que não começar amanhã mesmo, e anotar, assim dou uma mãozinha para a memória?

E foi assim, que no dia 23 de setembro de 1994, um dia depois daquela palestra, eu me desafiei. Hoje em dia eu busco fazer pelo menos uma coisa nova a no máximo cada 3 dias; me sinto mais satisfeito quando consigo uma sequência diária, ou seja, pelo menos uma coisa nova por dia, por vários dias seguidos.

Requer doses combinadas de Criatividade, Ousadia e Persistência, o que significa que é muito Divertido.

Aliás, nos meses seguintes àquela noite eu passei a procurar nas bibliotecas e publicações tudo o que se referisse ao tema Criatividade. Fiz cursos de especialização e até um mestrado internacional, e nos últimos 15 anos tenho ministrado aulas, palestras, oficinas e treinamentos em Criatividade & Inovação. Sou, com frequência, convidado por empresas e instituições, inclusive públicas, para conduzir ou monitorar processos para Geração e Seleção de Ideias.

Escrevi alguns livros e artigos, bem como participei de projetos que tratassem de como difundir e aplicar a Criatividade tanto nas empresas como na vida das pessoas.

Alguns meses depois daquela palestra descobri quem era o palestrante de nome difícil de memorizar, que apontou um caminho muito interessante para eu percorrer, era o Diretor Cultural da Instituição onde eu recém ingressara, coincidentemente, o autor do primeiro livro sobre linguagem de programação que eu havia lido anos antes, um livro que influenciou não apenas a minha carreira, como também a do meu filho. A seu convite, compus equipes nas quais tivemos a oportunidade de compartilhar diferentes projetos educacionais sustentados por ousadia, inovação e muita criatividade.

Esses últimos 21 anos têm sido muito divertidos. Obrigado por aquela palestra, professor Victor Mirshawka.

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