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A verdade e a estatística
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A verdade e a estatística


Ao longo de algumas décadas fui professor de Estatística em várias instituições de ensino superior (IESs) de São Paulo. Durante esse tempo, sempre procurei incutir nos meus alunos a importância da prática do raciocínio indutivo.

De um modo mais específico, refiro-me à capacidade de inferir significado e elaborar conclusões a partir da análise de amostras de conjuntos (ou populações) de dados e de suas origens.

Antes de me tornar um mestre nesse tema, fiz um longo aperfeiçoamento na área, conclui diversos cursos e realizei vários exames de proficiência. Fiz a apresentação de minha tese na Universidade de São Paulo, mais especificamente no seu Instituto de Matemática e Estatística, e escrevi diversos livros sobre o assunto. Todavia, mesmo com toda essa vivência, jamais imaginei que um dia as análises estatísticas pudessem ser feitas como hoje: a partir de uma enorme quantidade de dados ou, simplesmente, do que se chama big data (megadados). Essa ferramenta permite que as pessoas infiram (quase sempre de maneira correta) conclusões e compreendam as verdadeiras tendências!!!

Todavia, nem todo esse “arsenal” de dados que a tecnologia nos permite obter (praticamente em tempo real) nos leva a conclusões 100% corretas!?!? E quem há pouco tempo demonstrou isso de forma admirável foi o ex-analista de dados do Google, Seth Stephens-Davidowitz em seu livro Everybody Lies: Big Data, New Data, and what the Internet Can Tell us About Who we Really Are (algo como Todo Mundo Mente: Big Data, Novos Tipos de Dados e o que a Internet Pode nos Dizer sobre Quem Realmente Somos).

Esse livro foi publicado no início de maio de 2017, nos Estados Unidos da América (EUA), e apresenta ao (à) leitor (a) retratos desconcertantes da moderna psique humana. O fato é que, a partir da análise de dados, embora algumas de suas descobertas confirmem o senso comum, outras o colocam de “cabeça para baixo”. Isso se aplica, por exemplo, no caso relatado pelo autor sobre o basquete norte-americano. Segundo ele, são comuns nesse esporte as histórias de jogadores que depois de terem vivido em condições de extrema pobreza na infância, acabaram acumulando grandes fortunas ao longo de sua carreira (para isso, basta verificar a trajetória do extraordinário jogador do Golden State Warriors, Kevin Durant). Entretanto, os dados indicam que, na realidade, uma infância pobre reduz as chances de os garotos chegarem ao basquete profissional, talvez pela tendência de essas crianças mais necessitadas não alcançarem a estatura necessária para a prática profissional desse esporte (!?!?)

Everybody Lies

O incrível livro de Stephens-Davidowitz.

Há também resultados que, além de surpreendentes, são perturbadores. Esse é o caso, por exemplo, da prevalência de buscas em sites pornográficos por vídeos contendo práticas de violência sexual contra mulheres. Além disso, e o mais inacreditável nesse caso, é que essas buscas são duas vezes mais frequentes entre as próprias mulheres que entre os homens!!! Há outras questões igualmente bizarras e inquisitivas, tais como: por que, na Índia, os homens adultos querem tanto ser amamentados por suas mulheres?

De fato, as constatações empíricas apresentadas no livro Everybody Lies são tão intrigantes que tornam a sua leitura bastante fascinante, mesmo que o (a) leitor (a) se limite somente a registrá-las. Para esse livro, aplica-se cada vez mais a seguinte conclusão: um livro é atraente quando reúne os 3 Fs, ou seja: fatos (ou fontes e são citadas muitas…), ficção (talvez as inferências tiradas das análises não sejam realmente…) e fantasia (quem sabe aquela sobre os maridos indianos…).

Porém, o mais importante do livro é certamente a engenhosa tese proposta por Stephens-Davidowitz, de que assim como o microscópio e o telescópio transformaram as ciências naturais, a Internet irá revolucionar as ciências sociais. Assim, a microeconomia, a sociologia, a ciência política e a psicologia quantitativa dependem atualmente, e em larga medida, da realização de sondagens com a obtenção de amostras de, no mínimo, alguns milhares de entrevistados. Isso, entretanto, é algo que demora, tem custo elevado e muitas vezes obtém respostas que não são totalmente verídicas…

Neste sentido, ao se referir à big data (centenas de milhares de dados ou até milhões), Stephens-Davidowitz salientou: “Esse grande conjunto de dados possui quatro virtudes singulares. Em primeiro lugar, ele oferece novas fontes de informação (como no caso das buscas pornográficas); em segundo lugar, retrata o que as pessoas realmente fazem ou pensam, em vez daquilo que elas optam por dizer aos entrevistadores; em terceiro, permite que os pesquisadores concentrem sua atenção em subgrupos demográficos ou geográficos, estabelecendo comparações entre eles; e, por último, possibilita a realização ágil de estudos aleatórios controlados, capazes de apontar não apenas correlações, mas também casualidades.

Dessa maneira os cientistas sociais não precisam mais passar meses recrutando números reduzidos de pessoas para realizar seus testes. Em vez, disso as ciências sociais e comportamentais ganharão escala e, desse modo, as conclusões alcançadas pelo pesquisadores terão caráter verdadeiramente científico, e não mais apenas ‘pseudocientífico’.”

Uma coisa porém ficou clara, Stephens-Davidowitz não é um entusiasta inconsequente da revolução do big data. Por isso, ele não se esquiva de apontar os equívocos aos quais os grandes conjuntos de dados serão capazes de induzir os tomadores de decisão, na medida em que recorrerem de forma abusiva ao big data. Como, por exemplo, o de considerar o interesse por motocicletas como um bom indicador de baixo QI (quociente de inteligência), mas que, segundo o autor, não deveria levar as empresas a descartar candidatos a emprego que admitissem não gostar de motocicletas.

Assim, a recomendação de Stephens-Davidowitz é de que haja bastante cautela no uso do big data (megadados), sempre que essa ferramenta for utilizada não apenas para análise de dados, mas for aplicada a grandes agrupamentos de indivíduos como insumo principal na tomada de decisões que influenciem suas vidas.

Hoje, a proliferação dos satélites de baixo custo e os avanços da aprendizagem de máquina (“machine learning”) permitem aos analistas de megadados examinar milhões de imagens de satélite por dia. Assim, fotos de carros estacionados nos pontos de venda de grandes varejistas – como o Walmart, por exemplo – são bastante utilizadas para se calcular, em termos aproximados, o faturamento diário dessas empresas!!!

Com um pouco de engenhosidade, além de noções elementares de geometria, é possível “enxergar” longe. É isso o que fazem os analistas desses dados alternativos, que elaboram estimativas sobre estoques de petróleo, examinando nas fotos de satélite o comprimento das sombras projetadas pelos tanques de armazenamento (a maioria dos tanques tem tetos flutuantes, cuja altura varia de acordo com o volume de petróleo contido no seu interior!!!).

Existem hoje empresas que conseguem, por exemplo, oferecer estimativas sobre a produtividade de várias instalações fabris, acompanhando o número de caminhões estacionados em seus pátios!!! É claro que essas companhias vendem essas análises. Porém, um fato é incontestável, graças ao aperfeiçoamento da tecnologia da informação e comunicação (TIC), que gera o big data, os seres humanos têm se mostrado cada vez mais capazes a aprender sobre si mesmos – e cada vez de maneira mais rápida!!!

É bem verdade que vivemos num ambiente em que a disseminação de notícias falsas também é cada vez maior, principalmente com objetivos políticos. Nesse caso, visa-se a derrubada de governantes e a vitória em eleições. Antigamente a chamada “imprensa marrom” foi muito usada para denegrir a imagem das pessoas, o que sem dúvida deu origem a uma íntima ligação entre o poder constituído e a imprensa. Hoje esse problema (ou essa situação) se tornou ainda mais sério (a) graças à Internet e às redes sociais, que expandiram os horizontes no que se refere à circulação de informações, e isso em níveis inimagináveis há apenas algumas décadas.

Para ilustrar esse fato basta lembrar de dois exemplos recentes: o primeiro diz respeito à divulgação pelo Facebook de dados que foram essenciais para a eleição de Donald Trump para a presidência dos EUA. De fato, sabemos que as redes sociais impulsionaram boatos, factoides, mentiras e pós-verdades nas campanhas dos dois candidatos – e de forma avassaladora; o segundo se refere ao Brexit, ou seja, a saída do Reino Unido da União Europeia (UE).

Mas, fora isso, estamos cientes de que serviços como Google, Amazon, Spotify, Netflix, YouTube etc., têm ferramentas que lhes permitem descobrir onde moramos, nossos gostos e nossas preferências enquanto clientes em potencial. Eles “aprendem” tudo sobre o que queremos ver, ler, escutar, comprar e compartilhar, e, a partir do nosso comportamento – e de todas as informações que nós próprios lhes fornecemos –, são capazes de deduzir tudo de que precisam (inclusive nossa tendência de voto) para nos encantar com suas ofertas. Eles “descobrem” através do big data, de que maneira devem personalizar os anúncios que visualizamos ao visitar sites de notícias ou de compras, especialmente com as suas ofertas.

Essa ferramenta já permitiu a um seleto grupo de empresas obter o big data e, assim, manipular os “desejos” de centenas de milhões de pessoas, fazendo com que elas adquirissem objetos e até mesmo participassem de atividades desnecessárias!!! É triste chegar a essa conclusão, mas a posse do big data garante a certas organizações o poder de manipular multidões!!! Afinal, estima-se que o Facebook tenha mais de 100 milhões de usuários apenas no Brasil (no mundo são quase 2 bilhões…) e que o Google fature 10% de sua receita mundial em nosso País.

E onde reside o sucesso do Google? Em sua capacidade de segmentar a mensagem publicitária. Porém, é obvio que essa mesma precisão pode, de algum modo, ser utilizada a favor da viralização de notícias falsas ou até “irritantes”. Neste sentido, o Google anunciou que em breve lançará uma tecnologia capaz de bloquear anúncios “irritantes” e que prejudicam a navegação – como pop-ups, por exemplo, que são janelas de anúncios que abrem automaticamente na tela e “obrigam” os usuários a esperar até 10 s antes de acessar a informação desejada. As empresas de mídia, por sua vez, passarão a ter acesso a uma ferramenta que informará a elas quais propagandas são “inconvenientes”.

Recentemente o Facebook também anunciou que iria contratar 3 mil moderadores – ou censores –, com o objetivo de evitar o uso da rede para disseminar crimes, imagens pornográficas ou violentas, e a apologia ao terrorismo. Isso é um bom começo, mas está muito longe de impedir que notícias falsas circulem na rede, não é? Claro que todas as redes sociais deveriam fazer o mesmo e adotar comportamentos e processos que minimizem a circulação de notícias mentirosas e a pronta identificação dos sites que as propagam. Afinal, não se pode deixar que a Internet seja usada sem a devida responsabilidade.

Engenheiro, mestre em estatística, professor, autor de dezenas de livros, gestor educacional, palestrante e consultor. Editor chefe da Revista Criática.

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