Correlações incríveis permitem mentir com a estatística!
Muitos “malabarismos estatísticos” podem ser feitos com a utilização pouco cuidadosa com a mídia. Imagine, por exemplo, uma empresa que tem quatro funcionários, cada um ganhando R$ 800 por mês, outros três, cada um ganhando R$ 1.000, e o genial chefe com o salário mensal de R$ 28.000. A média salarial deles é de R$ 4.275, ou seja, pode-se dizer que ninguém ganha tão mal nessa empresa, porém isso não é verdade, por termos uma distribuição de salários muito assimétrica!
Tyler Vigen, doutorando em direito na Universidade de Harvard (EUA), criou um site (tylervigen.com) com exemplos engraçados, algo que os estatísticos já sabem há muito tempo: correlação não significa causalidade verdadeira, mesmo quando ela é bem elevada.
Os estatísticos têm várias ferramentas à disposição para analisar correlações. A mais clássica que eles usam mede só o quanto duas variáveis caminham juntas. Se a correlação é 1, então isso significa que as correlações se relacionam perfeitamente e se uma cresce, a outra faz igual na mesma proporção. Se esse valor é -1, então a correlação é perfeitamente inversa, e a outra diminui na mesma razão. Por fim, se a correlação é 0 (zero), os dados indicativos das variáveis são absolutamente independentes.
E aí vão algumas correlações elevadas, porém com previsões totalmente bizarras.
Há uma correlação 0,99 entre a redução no consumo de margarina por pessoa e a diminuição de divórcios para cada mil pessoas no Estado do Maine (EUA).
Bem, com essa estatística, não dá para chegar à conclusão de que se eliminássemos o consumo de margarina acabaríamos com os divórcios, não é?
Quanto menos se produz e vende mel nos mercados, mais jovens são presos por porte de maconha nos EUA (correlação de -0,93).
Isso não significa que se aumentarmos a produção e venda de mel, as pessoas que usam maconha vão abandoná-la e passar a comer muito mais mel, colocando-o nos waffles…
Você sabe qual é a correlação entre o número de norte-americanos que se afogam (por ano) ao caírem de barco quando pescavam e a taxa de casamentos em Kentucky (EUA)? O impressionante valor de 0,95 e, novamente, essa estatística é bem espúria, não é?
A correlação entre o número de filmes feitos por Nicolas Cage em um ano e a quantidade de gente que morre em acidentes de helicóptero nos EUA foi calculada e indicou uma correlação de -0,82, ou seja, quanto menos ele filma mais gente morre de acidente de helicóptero.
Então a conclusão é fazer com que Nicolas Cage faça o maior número de filmes por ano que isso fará com que haja menos acidentes fatais de helicóptero? Claro que não!!!
Finalmente, essa que também é de doer: quanto mais velha a Miss América em um determinado ano, mais gente é assassinada nos EUA, pois a correlação entre esses dados é 0,87!
Cuidado com a estatística e o fascínio por certos números, porcentagens e correlações para que isso não turve o seu senso crítico!!!
SUGESTÃO DE LEITURA:
Engenheiro, mestre em estatística, professor, autor de dezenas de livros, gestor educacional, palestrante e consultor. Editor chefe da Revista Criática.